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Fanático arrependido
Estanislau Schumann, um colono alemão arrependido de ter entrado para o grupo dos caboclos em armas, escreve uma carta ao primeiro-tenente Hermínio Castello Branco, chefe do destacamento da Polícia Militar em Canoinhas. Na abertura do documento, o ex-fanático garante que, como bom patrício, não é contra as leis que regem o país. Ele e todos os rebeldes são contra as autoridades do Paraná.
“Este povo daqui de Canoinhas não quer ser paranaense. Muitos dos meus conhecidos perderam as suas propriedades, que foram entregues aos amigos do governo que moravam em Curitiba. Para nós, não há leis e nem garantias.”
Para o autor da carta, o governo do Paraná vive tomando as terras que os colonos cultivam. E os novos donos, que moram na cidade, nem deixam tempo para os colonos colherem o que haviam plantado. Os rebeldes não têm queixas contra Santa Catarina porque o governo do Estado respeita as propriedades que foram vendidas aos colonos.
Estanislau Schumann vai fundo no problema pessoal. “Eu, como estrangeiro, não posso fazer nada. E nem tampouco devo decidir sobre o que quer que seja. Faço o possível para respeitar a Constituição Brasileira. Por isso, não sou contra a República, nem contra o governo que nos rege. Mas não posso aceitar que os donos das terras sejam expulsos de suas propriedades, pior do que se fosse índio do mato.”
O colono também entra na questão dos limites entre os dois estados e entende que o governo deve dividir o território contestado, em partes iguais, entre os dois brigões. Quanto aos fanáticos, Estanislau Schumann manifesta toda a certeza que eles vão brigar até a última gota de sangue, pois, de jeito nenhum aceitam o domínio do Paraná. (O Dia, 13 de janeiro de 1915).
As profecias do colono alemão se realizam: o Contestado será dividido entre o Paraná e Santa Catarina e os caboclos agüentam a luta até a última gota de sangue.
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